Soft Skills: o que são e por que importam para sua organização

Imagine o dia a dia do líder de uma organização. Ele precisa ter conhecimentos sobre sua área de atuação e saber aplicar técnicas que desenvolveu a partir de sua formação ou cursos que participou. Porém, também é necessário que esse líder saiba se comunicar com colaboradores e clientes, possua técnicas de persuasão para fechar acordos e, ainda, criatividade para reiventar seu negócio. Esses conhecimentos técnicos adquiridos, principalmente a partir de formações acadêmicas, são conhecidas como hard skills. Até há algum tempo, eram vistas como o principal conjunto de competências no momento da seleção. Entretanto, com os avanços nas áreas de Inteligência Artificial e automação, o mercado tem buscado pessoas que possuam competências voltadas ao comportamento humano, ou seja, mais relacionadas com aspectos da personalidade e na interação com o outro.

Essas competências possuem vários nomes, como habilidades interpessoais,  competências transversais ou, como são mais conhecidas, soft skills. De acordo com o Psicólogo e pesquisador  do tema Inteligência Emocional, Daniel Goleman, são “traços e comportamentos que caracterizam nossos relacionamentos com outros”, ou seja, habilidades mais subjetivas, diretamente relacionadas com a inteligência emocional.

São as soft skills que nos auxiliam na produtividade, motivação, foco e nas relações.  Por isso, esse tema vem sendo cada vez mais abordado e estudado. Segundo com alguns autores, todos os trabalhadores que ocupam função de chefia e gestão precisam de soft skills para alcançar sucesso profissional. A importância dessas competências vai aumentando na medida em que o colaborador vai ocupando cargos mais elevados na hierarquia organizacional e assumindo funções de liderança de maior destaque. Isso porque o domínio das soft skills é fundamental para aqueles que executam papel de liderança.

É importante, contudo, ver as hard e soft skills de forma complementar, pois a última auxilia na aplicabilidade e desenvolvimento de muitas competências técnicas. A ausência delas pode vir a atrapalhar no desempenho da função.

 Quais são as soft skills mais requisitadas no mercado?

Assim como o mercado de trabalho encontra-se em constante mudança, o mesmo ocorre com as soft skills, que vão ao encontro das necessidades da atualidade. O Fórum Econômico de Davos fez um mapeamento das soft skills mais importantes e requisitadas pelo mercado de trabalho até 2025 e as 10 principais destaco aqui.

  1. Resolução de problemas: competência relacionada à encontrar ou construir soluções para adversidades que surgem, além de criar estratégias que previnam que outros problemas apareçam.
  2. Pensamento crítico: está relacionado a possuir um processo de aprendizagem ativo, que não ocorra por uma assimilação de conteúdo passiva.
  3. Criatividade: relacionada à inteligência e ao talento focado na geração de ideias e geradora da inovação. 
  4. Gestão de pessoas: capacidade de não só identificar talentos, mas também desenvolvê-los e engajá-los.
  5. Coordenação: habilidade para se organizar perante diferentes tarefas que acontecem ao mesmo tempo, respeitando prazos.
  6. Tomada de decisão: capacidade de seleção de um curso de ação entre diversas alternativas disponíveis, levando em conta fatores racionais e emocionais.
  7. Saber negociar: habilidade relacionada a persuasão e comunicação. Capacidade de realizar análises táticas e interpessoais utilizando a persuasão e a comunicação assertiva.
  8. Flexibilidade cognitiva: habilidade referente a capacidade de se adaptar a novos acontecimentos e situações.
  9. Orientação para servir: capacidade de possuir sensibilidade para saber como atender aos diferentes perfis do mercado.
  10. Inteligência emocional: capacidade de gerenciar as emoções, de modo que elas sejam expressas de maneira apropriada e eficaz.

Um ponto importante é que cada área do mercado de trabalho possuirá um conjunto de soft skills referente às suas necessidades do momento. Na área da saúde por exemplo, encontra-se a empatia, já para os profissionais de gerenciamento de projetos, a resolução de problemas terá um enfoque maior. Por isso, é necessária uma pesquisa direcionada à área desejada por meio do desenvolvimento do modelo de Competências, assim, é possível vincular os diferenciais do negócio com as habilidades das pessoas e seus comportamentos.

Liderança autêntica e as soft skills

Embora essas competências estejam sendo muito requisitadas no mercado, as soft skills não devem ser algo esperado naturalmente. Alguns autores afirmam que é necessário que universidades e centros de formação tragam em seus currículos  maneiras de ensinar essas habilidades junto das hard skills. Esse compromisso pode ser também assumido pelas organizações ao propiciar, por exemplo, uma formação continuada. Um colaborador com um currículo impecável de hard skills que possui dificuldade em se comunicar, por exemplo, pode ter um impacto negativo no seu setor. Nesse sentido, o estilo de liderança adotado por líderes e supervisores têm um grande impacto e papel decisivo nessa missão.    

No estudo Liderança Autêntica e Desenvolvimento de soft skills, dos pesquisadores Junior, Matos, Marinho e Tavares em 2021, os autores avaliaram 307 respondentes a partir de métodos validados de avaliação da liderança autêntica e do nível de soft skills. Os resultados mostraram que quanto maior o nível de liderança autêntica nos gerentes e supervisores, maior o nível de soft skills em seus colaboradores. 

Mas o que é essa liderança autêntica?

É aquela que possui e manifesta otimismo, confiança, esperança, resiliência, orientação para o futuro, foco no desenvolvimento de colaboradores e associados e que possui princípios morais e  éticos.​ 

O estudo citado acima demonstra que a seleção e investimento no desenvolvimento de gestores com o perfil autêntico de liderança pode diminuir o gap na formação de soft skills de seus funcionários, proporcionando o desenvolvimento dessas habilidades tão importantes no cenário atual. 

E você, quer desenvolver soft skills como estratégia de gestão de pessoas? 

Eliza Rebello é estudante de psicologia e estagiária da Light Source