Experiência do colaborador: percepções sobre conexões que geram valor

Por Renato de Souza

As percepções que os colaboradores têm sobre a empresa onde trabalham estão diretamente relacionadas à maneira como essa mesma empresa se conecta com eles. Conexões se estabelecem por experiências e, em especial, a experiência com o colaborador é uma estratégia que vem ganhando relevância e desafiando gestores.

Organizações querem sempre os melhores talentos. Profissionais, por sua vez, têm a prerrogativa da escolha por experiências conectadas às necessidades e aos desejos de impacto individual e/ou coletivo. Nesse dilema, para as áreas de Recursos Humanos e de Marketing a experiência do colaborador é uma abordagem cercada de dúvidas e confusões quanto ao entendimento — tanto de conceito quanto de prática.

No cenário corporativo, a competição por talentos obriga organizações a lançar mão de estratégias para contar com os melhores profissionais. Essas estratégias podem ser ativadas pela captação no mercado, por exemplo, ou a partir da promoção e incentivos para mantê-los no quadro da empresa. Seja qual for a estratégia, a experiência do colaborador tem um papel fundamental. Isso porque o ambiente interno se espelha para além dos muros organizacionais.

Nesse sentido, a experiência do colaborador deve estar ancorada nas diretrizes organizacionais e nas necessidades dos funcionários. Também deve considerar a velocidade e as transformações de um mundo altamente conectado. Boas jornadas, permeadas por experiências incríveis e memoráveis, impactam na imagem da empresa e, por consequência, na reputação dela. Além disso, quando alinhada aos objetivos da organização e à cultura, a experiência do colaborador fortalece a empresa internamente. Dessa forma, cria condições favoráveis para um maior envolvimento entre empresa e funcionário, impulsionando a produtividade, a criatividade e a inovação.

Experiências positivas

O resultado da experiência do colaborador se traduz em percepções e sentimentos. E é isso que faz a diferença. Nesse sentido, essas experiências devem ser positivas para ambos os lados. Segundo Jacob Morgan, autor do livro Employee Experience, a experiência do colaborador é definida pela “intersecção das expectativas, necessidades e desejos dos funcionários, com design organizacional dessas expectativas, necessidades e desejos… Uma sobreposição sobre a realidade do funcionário e o desenho da organização dessa realidade”.

Nesse caso — no qual a realidade do colaborador é molde para experiência —, a geração de maior valor para essa construção consiste em considerar os contextos apresentados em novos paradigmas. Para isso, é possível ponderar, por exemplo, conectar o design o máximo possível às demandas valorizadas pelo mercado (aquelas que estabelecem novos drives de necessidades e desejos). E aí é imperativo que a empresa se aproxime mais do colaborador e entenda melhor sua realidade.

É necessário, também, que a empresa se atente para os movimentos impulsionados pelas conexões de tempo real, que impactam no dia-dia, e para os padrões de escolha. É preciso ainda que desenvolva resiliência para lidar com diferentes interesses e, sobretudo, que a organização considere a importância, cada vez mais atual, de uma liderança comprometida e sensível para conectar pessoas de características e mindset diferentes.

 Os três aspectos da experiência do colaborador

Empresas e colaboradores são parceiros na construção ou projeção de experiências positivas. Morgan, em seus estudos, sugere uma equação desenhada sob três aspectos importantes para formatação da experiência do colaborador: os aspectos físico, tecnológico e cultural.

Os aspectos físicos são interpretados por ambientes atrativos, flexíveis e projetados para evidenciar os valores da organização. Os tecnológicos, por sua vez, precisam estar disponíveis para todos, acompanhando a usabilidade comum das pessoas e serem aderentes às necessidades dos funcionários e às exigências do negócio. Já os aspectos culturais têm maior peso na equação e devem estar contextualizados e alinhados aos valores e objetivos organizacionais. Esse tripé forma as bases para construção de jornadas com experiência positivas para o colaborador, refletidas em bons resultados para a organização.

Com esse entendimento, já seria possível justificar a importância da experiência do colaborador com uma ação de gestão de pessoas altamente benéfica por permitir a maior interação entre organização e colaborador.  Mas é possível ir mais adiante: quando ativada em sua plenitude, a experiência do colaborador se mostra uma estratégia de impacto sistêmico, com resultados captados dentro e fora da organização, gerando percepções e permitido interações que geram valor para empresa, para o colaborador e para os clientes.

 

Renato de Souza é publicitário, Sócio-diretor na EVOQ Brand, consultoria em estratégia de marcas e negócios.

 

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