O Momento do Propósito: como sua empresa pode fazer a diferença

Por Renato de Souza

Poucas vezes fomos tão desafiados como agora. Vivemos uma crise que extrapola limites econômicos e sociais, podendo, inclusive, ser chamada de crise humanitária. A pandemia do Covid-19, além dos impactos negativos já sentidos por todos, deve, no futuro, trazer ainda mais instabilidade, acrescentando mais volatilidade ao mercado, aumentando a desigualdade social e paralisando economias, com consequências em diversas áreas.

Por outro lado, as grandes crises da história fizeram despertar habilidades criativas e adaptativas de pessoas e instituições. Podemos estar vivendo o inicio de um novo zeitgeist, expressão alemã que significa “o espírito de uma era”, pautado por uma mudança comportamental com efeitos em modelos de convivência, de relacionamento e de visão de mundo. Uma transformação que nos colocará em um novo diálogo com as pessoas, com a natureza e com o planeta.

Se aplicarmos esse conceito ao mundo dos negócios, podemos considerar o papel essencial que empresas e marcas têm para esse novo “espírito de época”. E isso não é novidade. O protagonismo histórico que esses agentes já tiveram como “catalizadores” de transformação no mundo, em vários níveis e momentos, sugere que essas mudanças virão como um processo de evolução.

Com o atual caos instalado, as organizações estão sendo exigidas a terem uma maior e melhor participação social. E isso está condicionado ao equilíbrio e à maturidade pautados em valores que impulsionarão decisões relevantes —escolhas, perdas, ganhos, modelo de gestão — e a construção de uma economia ajustada e colaborativa. Tudo isso poderá trazer uma resignificação da palavra “resultado”.

Uma organização movida por propósito tem maior possibilidade de restabelecer-se em condições adversas. Fotos: Unsplash

O Propósito como estratégia de ação

Um tema que ganha ainda mais força para empresas e marcas é o Propósito, com definição clara e reconhecido pelos colaboradores e pelo ecossistema. O propósito deve estar alinhado ao core competence para auxiliar numa definição ou redefinição do campo de ação, e/ou em uma reformulação da proposição de valor. Assim, o propósito sai da parede para influenciar, de maneira prática, as decisões estratégicas de impactos interno e externo.

O propósito é, em sua essência, a razão de existir de uma organização.  É um direcionador que estabelece a contribuição, ou o autocompromisso. Algumas empresas, porém, sentem dificuldade para entender e comunicar sua razão de existência. Essas organizações, geralmente, se definem para seu público pelo portfólio de produtos e serviços, pelas suas competências ou pelos seus ativos.

Uma organização movida por propósito tem maior possibilidade de restabelecer-se em condições adversas. Pesquisas indicadas pela Sap New Center – Future of Work (2017) apontam que empresas com um senso claro de finalidade são lideres de retenção de clientes em 75% e que colaboradores são duas vezes mais otimistas sobre o futuro da organização quando sentem-se conectados com um propósito mais elevado.

“Toda empresa consciente deve ter um propósito maior”. A frase, descrita por John Mackey e Raj Sisodia no livro Capitalismo Consciente (2018), dá o tom de como as organizações devem “encarar” o seu propósito. Ter um propósito maior estabelece um compromisso para fazer a diferença no mundo.

Em um momento de crise, tão importante quanto definir o propósito é também assumir posições. Uma organização com propósito definido, claro e reconhecido consegue integrar seu ecossistema, aproximando-se de ideias e convicções que interagem com temas de interesse comum. Essa atitude constrói uma corrente de confiança e credibilidade que conecta a rede de stakeholders, formando um ciclo virtuoso em que todos ganham.

Uma organização movida por propósito é aquela que está preparada, a qualquer tempo, para contribuir com as necessidades da sociedade e gerar resultados. O momento é agora.

 

Renato de Souza é sócio na EVOQ Brand – Consultoria em Estratégia de Marcas

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